terça-feira, 5 de agosto de 2008

Uma noite em Huston

Claudia J. S. Constancio

Resumo: Hardy é uma menina triste. Um dia resolve ir ao campo para ficar sozinha e encontra com cinco garotos, totalmente drogados. Vários acontecimentos transcorrem e, a partir daí, a noite cai e a madrugada promete ser eterna.
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Capítulo 1

Na manhã de 1927 no outono de Huston a senhorita Hardy preparava o café para a sua avó.
Hardy era órfã e só tinha Jôh de família. Tinha sérios problemas de asma, porque sua mãe era viciada em drogas ainda quando grávida.

- O café.
Jôh toma um gole e, logo em seguida, cospe no rosto da neta
- Garota imprestável! Não serve sequer para preparar um café. Anda, suma da minha frente! Espero que a casa esteja bem limpa ou terei que castigá-la.
Em cima da cama, tossindo, a avó fez um sinal para que a menina saísse.

Com os olhos cheios de água, Hardy foi para o seu quarto.
Pelas paredes diversos desenhos e símbolos que ela fazia quando estava triste. Quase já não havia espaço, então subiu na cômoda que havia no canto e começou a desenhar no teto.

“O infinito...” – pensou. E assim foi desenhando. Pegou um estilete na gaveta e sem saber direito o que estava fazendo, apertou os olhos e em seguida os abriu. Podia então fazer a marca vermelha no peito do seu personagem na parede.

- Haaaarrrrrrr dy..... Haaaarrrr ....

“Não... Pare com isso. Pare! Por favor”

Mas a voz continuava em sua mente, como uma explosão ensurdecedora e insuportável.
Saiu correndo, desceu as escadas, abriu a porta e seguiu em direção a um enorme campo próximo à sua casa.
Estava em silêncio, não havia mais aquele som perturbador. Sentou-se ao lado de umas begônias, flores típicas da estação, abaixou a cabeça e ficou calada.

Capítulo 2

Algumas risadas iam aumentando.
- Vamos, Kill. Dê um trago, seu palerma! Vamos ver se você consegue, sua bixinha.
Hahahhahahhahahhaa
- Wooow, muito doido, cara. Olha as luzes voando! Olha, que viagem!
Era Gred, o mais novo da turma.
- Vira, vira. Aêêê!! Hahahahhahaha

Hardy levantou a cabeça e nesse instante um dos garotos a viu.

- Olha só o que temos aqui!

Virando-se para ir embora correram e a cercaram. Eram cinco, na faixa dos 17 a 19 anos. Ela tinha 16.

- Calma. Que pressa é essa, princesa? Disse Bryan, passando a mão no rosto da jovem.
- Deixem-me em paz!
- Hahahaha, ouviram? Ela quer ficar em paz. O que a gente faz com ela hem?
- Olhaaa cara, a árvore é azul! A árvore é azul!
- Cala a boca, Gred! Falou Scott
E virando-se para Hardy:
- Ela é bem bonita... O dia está bonito, não está? Vamos nos divertir...
- Tod, Gred vamos, segure os braços dela e vocês, Kill e Scott, as pernas. E tapem a boca dela.

Estavam alucinados, e a menina ficou desesperada. Mas não havia como correr. Prenderam-na fortemente e taparam sua boca.

“ Soltem-me, desgraçados, saiam daqui!” – e mordeu a mão de Tod.
- Vagabunda!
Segurou, então, mais forte.

O primeiro foi Bryan. Os amigos davam gargalhadas enquanto Hardy tentava gritar e chorava desesperadamente. Seguiu-se por Tod, Gred, Kill e Scott.
Quando terminaram e a soltaram, Hardy não se movia mais. Estava fria e muito machucada. Estava morta.

Capítulo 3

- O que aconteceu? Merda, merda! Ela ta morta!

Todos olhavam para o corpo, estirado ao chão, espantados, sem saber o que fazer.

- Vamos, disse Scott. Peguem ela, temos que fazer alguma coisa com o corpo

E olhando para um canto do campo:

- Ali, vamos enterrar ela. Ninguém vai perceber...

E foram até o local.
Carregaram Hardy até o local e, chegando lá, começaram a cavar a terra fofa com as próprias mãos.
Quando terminaram, viraram o corpo da garota no buraco e encheram com a terra retirada.

- Vamos! – disse Kill. Vamos sair daqui o mais rápido possível.
- Na terra, o monstro ta na terra e você vai morrer hahahahhaa todo mundo vai morrer voando hahahhaa
- CALA A BOCA!

Bryan havia dado um soco em Gred, que caiu, mas logo em seguida levantou, com a boca cheia de sangue, rindo e falando “morrer, morreeeer hahahaha”.
Saíram do lugar.

Capítulo 4

A noite começava a chegar e o frio ia aumentando. Os ventos sopravam em Huston e a terra continuava macia... Acompanhada agora pela pequena Hardy.

Os garotos resolveram andar pela cidade para beberem mais. Depois desse dia, eles precisavam de umas boas doses.
Finalmente, foram para a casa de Tod, o mais velho. Como ele morava sozinho, não havia problema.
Sentaram na sala e acenderam uns cigarros.

- Ninguém toca mais no assunto, está certo?
- Certo. – responderam a Bryan
- Vamos, passe a garrafa, falou Scott

Estavam rindo quando a janela abriu com o vento.
Todos pararam e Tod foi fechar a janela. Quando voltou Kill soltou uma exclamação.

- Na sua blusa!

E Tod olhou. Era um fecho grosso de cabelo negro. Sem dúvidas, o de Hardy.
- Que droga é essa? Isso não estava aqui! Disse Tod, pegando o fecho e atirando longe.
- Deixa, deixa essa merda. Vamos, chega de beber.
- Tudo bem. E podem ficar por aqui, já é quase 1 da manhã
- Está certo.

Capítulo 5

Olharam para trás. Gred estava agachado e tremendo no canto da sala.

- Droga! O filho da mãe cheirou demais
- “ahahha... Nós vamos morrer, ela me disse. Nós vamos morrer hoje. Haaha...”
- Já disse para calar a boca, desgraçado.

E quando Bryan ia dar outro soco em Gred, Kill o puxou:
- Não. Chega disso. Ele está alucinado, deixa. Além do mais você sabe que ele é louco.

Mas Gred continuava tremendo e dando risadas.
Um barulho na porta, como o de um empurrão fez todos, menos Grade, olharem para a entrada.

- Quem está aí? Falou Tod.

Mas ninguém respondeu.

- Olha! Olha! Disse Kill, apontando para a janela.
- O que foi?
- É ela! É ela! A garota! Droga, Bryan. Droga!
- Parem de loucura, seus imbecis. Ela está morta. Estão me ouvindo? Morta!

E nessa hora, Scott começou a agir de forma estranha. Olhando para os lados rapidamente, tremendo e gritando. Saiu então correndo até a cozinha e começou a bater a cabeça na parede uma, duas, três, quatro vezes!

- O que você está fazendo, seu maluco?
- Me larguem!

Pegou um vidro de álcool em cima da mesa. Olhou para os amigos, acendeu o isqueiro e botou fogo em seu próprio corpo.
Todos, menos Gred que ainda estava tremendo e rindo no canto da sala, foram tentar ajudar Scott. Ele gritava, se debatia, desviou dos amigos, saiu pela porta correndo e, a alguns metros da casa, caiu morto ao chão.

- HAHAHAHHAHAA O primeiro, esse foi o primeiro HAHAHAHHAHAHA
Era Gred, claro.
- Vamos.

Capítulo 6

E correram até onde o seu amigo estava. Mas não adiantava mais nada, estava mesmo morto.
Pegaram o corpo e foram também enterrar.

- O que irão pensar? Irão dizer matamos ele.

Começaram a cavar. E acharam alguma coisa. Kill pegou. Um pano branco coberto por terra, com detalhes de renda: era o vestido de Hardy.
Nesse momento começou a ventar forte e uma sensação de que havia mais alguém ali tomou conta de todos. Ouviram, então, gargalhadas vindas de dentro da casa: era Gred.
Enterraram rapidamente Scott e correram para a casa. Mas chegando lá a porta não abria.

- Abra essa porta, seu infeliz. Deixe-nos entrar!

Mas nada que Tod dizia adiantava. As janelas e portas estavam trancadas. Apenas podiam ver Gred no canto tremendo e dando gargalhadas.

- Vocês vão morrer. HAHAHAHA. Vocês vão morrer.

Era uma voz vindo do campo, perto de onde estavam.

- Quem está aí? Pare com essa palhaçada seu otário. Vem aqui que eu vou acabar com você!

E Kill saiu correndo desesperado gritando “aparece! Aparece seu idiota!”

Silêncio.

Capítulo 7

Virou e deu de cara com uma menina branca, nua, cabelos negros até a cintura com sangue pelo corpo inteiro.
Sentiram arrepios por toda parte e não conseguiam se mover.
Os olhos de Hardy estavam vermelhos. Chegando, então, mais perto dos dois e com um leve sorriso se dirigiu a eles.

- Estou bonita, rapazes? Venham... A noite não vai mais acabar.

Ainda imóveis, não conseguiam dizer uma só palavra. Preferiam acreditar que estavam sonhando. Os olhos estavam fixos em Hardy.
E ela se irritou.

- Malditos! Malditos! Devolvam o meu vestido!

Começaram então a correr. Ainda que suas pernas estivessem tremendo, corriam como nunca, para o campo. Olhavam para trás e viam a menina indo atrás deles, ora mais afastada, ora mais próxima, dos lados, estavam atordoados.
Bryan, nesse momento, tropeça e cai.

- Droga, Bryan. Levanta! Levanta logo! Ela tá vindo!
- Espera, Kill. Olha isso.
- O que é? Vamos!

E Bryan levantou, bateu a poeira das calças e mostrou o que havia encontrado: um cordão com o pingente de uma gota.

- É o cordão do Gred, Kill.

Capítulo 8

E ouviram então a voz do amigo maluco por ali.

“Morreeeeerrr hahahhahhaaa”

- Gred, você está aí?

Sons vinham de todos os lados. O ar começou a ficar mais frio à medida que a madrugada ia afundando a cidade de Huston.

- Vamos, Kill. Vamos embora daqui. Cadê ela?

Mas Kill virou e, repentinamente, Hardy o beijou.

Nesse momento ele e Bryan ficaram paralisados.
Hardy o beijava vagarosamente, num profundo e demorado ambiente gélido que os tomavam. Agarrou-o pelos ombros, cravou suas unhas e Kill foi ficando mais branco, e frio.
A garota então pegou em seu pescoço, e o mordeu!
Bryan, ainda com o cordão nas mãos, via o sangue escorrendo, mas permanecia sem sair do lugar.

“Sangue... Saaaangue.”

E agora ela lambia o que havia em seus braços, e jogou o garoto ao chão.
Ele estava desacordado, com o pescoço sangrando, mas com os olhos abertos, estirado ao chão.

“Agora é você!”

Mas quando Hardy foi na direção de Bryan, mais gargalhadas surgiram:

“HAHAHAHAHHAHAHAHAHHAA... Mais um morreu, mais um morreu! HAHAHHAHAHAHAHAHA”

E Hardy virou, e sumiu.

Capítulo 9

Nesse instante, Bryan voltou correndo na direção da casa. Ao chegar gritou:

- Gred. Gred, seu infeliz! Cadê você?

Olhou pela janela onde antes estava o garoto, mas não havia mais ninguém lá.
Estava desesperado. Kill e Scott já estavam mortos. Gred havia sumido e... Tod?
A porta se abriu.
Bryan foi entrando e, quando estava de costas para a porta, ela se fechou bruscamente, fazendo um enorme barulho.
Bryan virou e iam atacá-lo!

-NÃÃÃO!!!
- Droga, seu maluco, eu ia te matar!

Era Tod.

- Por onde você andou, seu idiota? Kill acabou de morrer. Aquela garota, merda! O que a gente fez? Ela vai nos matar, Tod. Ela vai nos matar!!!
- Quieto, Bryan. Vamos. Leve-me até lá.

Tod e Bryan foram ao encontro do corpo de Kill que estaria no campo, mas chegando lá não encontraram nada.

- Onde está ele, Bryan?
- Eu não sei... Ele estava aqui. Aquela garota o beijou e em seguida o matou!
- Tem certeza de que era aqui o local?
- Tenho. Ela deve ter levado o Kill.

Começaram a surgir ratos e vermes pelo chão e aos poucos o lugar ia ficando cheio deles. Subiam pelas pernas dos dois e eles então rapidamente saíram dali.

- O que foi aquilo?
- Não sei, Tod. Vem.

Capítulo 10

Subiram um morro próximo, viraram à direita e chegaram em um lugar. Seus pés afundavam um pouco, e por isso retiraram os chinelos.
Era o local em que enterraram Hardy.

Mais à frente estava um amontoado de terra com muitas folhas caídas em cima, enquanto o chão em volta estava limpo. Uma begônia murcha ao centro. Estavam diante do túmulo da garota.
Bryan se aproximou e quando chegou mais perto, começou a cavar.
Retirou as folhas que estavam por cima e cavou, desesperadamente. Saíram alguns vermes que subiram por suas mãos, mas continuou cavando.
Finalmente, um corpo começou a aparecer. Era um corpo nu, frio. Mas quando Bryan retirou o restante da terra que cobria o rosto do defunto, deu um grito e caiu para trás.

Não era Hardy que estava ali, mas um garoto, com as veias do rosto altas e com os olhos abertos, fixos.
Sim, era Kill. Sua barriga estava aberta, e dentro dela havia alguma coisa. Pegou e, novamente, o susto! Em suas mãos estava a cabeça carbonizada de Scott, envolta por tripas e vermes que, embora de tal forma, identificável.
Bryan, com as duas mãos apoiadas no chão ao lado do seu corpo e agachado, foi andando para trás, com os olhos bem abertos e apavorados.

- Tod. Olha isso! T-o... Tod??!

Capítulo 11

O seu amigo estava de pé, parado na mesma posição de quando chegaram. Mas sua expressão era diferente.
- Bryan, Bryan... Você não devia ser tão curioso. Já está na hora de a brincadeira terminar.

E olhando para o buraco

- Ainda cabe mais um aí.

E deu um sorriso.
Pegou uma corda escondida atrás de uma árvore e o amarrou. Bryan tentava se soltar, mas Tod era mais forte que ele.
Depois de ter amarrado, Tod repôs o corpo de Kill e a cabeça de Scott no buraco e, em seguida, jogou Bryan, ainda vivo e tapou com terra.
Já eram quatro da manhã.
Mais uma vez as gargalhadas de Gred soavam alto em algum lugar.
Tod ficou tonto, e caiu.
Levantou logo em seguida com a mão na cabeça.

Capítulo 12

“Droga. Está doendo”

Olhou para os lados.

“Bryan? Onde você está?”

Mas ninguém respondeu.
Enquanto isso a terra acompanhava os gritos surdos de Bryan.

Tod deu uns passos e viu Gred. Ele estava correndo e sorrindo, mas não deu tempo de alcançá-lo.
E então, agarraram-no por trás.
Era Hardy. Com uma força fora do comum. Segurava seus braços e diziam em seu ouvido bem baixo:

- Muito bem, Tod. Mas agora é a hora de se juntar aos seus amiguinhos.

Em questão de segundos, Tod se via pregado no chão, em cima de uma taboa. Suas mãos e pés sangravam.
Sorrindo, a menina dizia:

- Vi isso uma vez em um quadro de uma igreja. Sempre quis fazer.

Surgiram algumas sanguessugas, não se sabe de onde. Hardy as pegou. Eram mais de cinqüenta delas! As colocou em cima de Tod, pela sua barriga, mãos, cabeça, enfim, pelo corpo todo.
Elas, com suas ventosas, começaram a sugar o sangue de Tod.
Ele gritava de dor. Era a sensação mais insuportável que podia sentir. Os alucinógenos não faziam mais o efeito de sensação de dormência.
Entravam pelas suas calças, por sua boca, e Hardy assistia tudo com um enorme prazer.
Aos poucos os gritos de Tod foram ficando mais baixos, até que, por fim, ele morreu.

Hardy levantou a taboa.

“Sempre quis um espantalho”
Capítulo 13
Seis da manhã.
O sol aparecia à medida que os minutos se passavam, e a noite havia ficado para trás.
Dois carros da polícia chegavam à casa de Tod.
Um deles, gordo, bigodudo e com o zíper da calça aberto, bate na porta:
- Tem alguém aí? Abram a porta, é da polícia.
Mas ninguém respondeu.
Então, com a ajuda de outro policial, um magrelo com o cabelo negro partido ao meio, eles arrombaram a porta, enquanto outros policiais ficavam do lado de fora.
Entraram na sala. E, no canto, estava um garoto encolhido, dando gargalhadas e tremendo.
- Qual é o seu nome, garoto?
- G.. G-r-e. G-r-e-d.
Suas mãos e roupa estavam cheias de sangue já seco e havia grandes olheiras nele.
- Recebemos várias denúncias de que escutaram gritos por aqui nessa madrugada, investigamos, e o que encontramos! Os corpos de três garotos enterrados e um quarto corpo, pregado em uma taboa. Procuramos saber, e disseram que eles e você, senhor Gred, saíram ontem e vieram todos dormir nessa casa.
E o policial magrelo:
- E olha, olha...
Agaixou-se e pegou um embrulho.
- Drogas, que maravilha...
- Só você está vivo, garoto. Mas realmente eu estou admirado. Você, como conseguiu... Bom, isso você irá explicar depois. Vamos, moleque!
E deu um tapa em Gred, que levantou, ainda rindo. Olhou para trás.
“Todos morreram... hahahhaa...”
- O que disse?
Mas Gred não respondeu, e andou até o carro dos policiais para ser levado.
Capítulo 14

O barulho das sirenes ia diminuindo aos poucos. A casa de Tod estava agora, vazia.
Os policiais haviam encontrado os quatro corpos, mas não disseram nada a respeito de Hardy.

[Em uma outra casa próxima...]

Entra correndo e dando risadas.
Sobe pelas escadas em espiral e chega ao quarto. Arrasta a cadeira, sobe nela e, em seguida, na cômoda.
Pega um balde, estava cheio.
Havia pincéis ao lado. Pega, passa no líquido e começa a pintar, cantarolando e rindo, com seu vestido de renda branco, os cabelos negros sedosos, até a cintura. Uma caixinha de música ao fundo. A sua favorita, que ligava sempre às manhãs para ouvir a melodia tranqüila.
- Pronto. O teto vermelho, como eu sempre sonhei. Está lindo!
Desceu da cômoda e foi andando em direção a uma parede. Parou. Olhou para o balde vazio.
- Ainda faltam as paredes...
Hardy continua andando, atravessa e some.

Num outro quarto, em cima da cama, a outra está segurando cinco varetas de madeira entrelaçadas, cada uma com um barbante pendurado, envolto no pescoço de um bonequinho de pano.
Nesse momento, ouve-se o barulho de uma freiada brusca e, em seguida, barulho de explosão.
- E nem fechou o zíper... Agora já pode parar de tremer e dar gargalhadas...
Pegou um alfinete e fincou no último bonequinho.

Lá fora, alguns garotos colocando gatos em sacos e dando pauladas.

- Hahahaha. Vamos, bate mais forte!

Hardy observa, dá um leve sorriso.

“ O dia está lindo. Vamos nos divertir.”




FIM